Vale a pena construir um fliperama? Minha experiência depois de 30 dias de projeto
Vale a pena construir um fliperama? Minha experiência depois de 30 dias de projeto
- 16/08/2026
- GameNest
- Atualizado: 16/08/2026, 15:35h
Depois de 30 dias de trabalho, três episódios mostrando cada etapa da construção e muitos testes, finalmente chegou a hora de responder à pergunta que deu origem ao episódio bônus:
Vale a pena construir o seu próprio fliperama?
A resposta curta é: para mim, sim. E muito.
Mas a resposta completa é um pouco mais interessante.
Construir ou comprar um fliperama pronto?
Antes de decidir se vale a pena construir, existe uma pergunta fundamental:
Quanto custa comprar um fliperama pronto?
Ao pesquisar algumas opções disponíveis no Brasil, fica evidente que existe uma diferença enorme de preços entre as máquinas. E isso acontece por diversos motivos: tamanho, acabamento, monitor, computador, quantidade de controles, componentes utilizados, sistema, quantidade de jogos e, principalmente, a qualidade de cada componente.
Quando você constrói sua própria máquina, existe uma vantagem importante:
Você decide onde gastar o seu dinheiro.
No meu projeto, por exemplo, aproveitei um notebook que já possuía. Isso fez uma diferença enorme no orçamento.
Se você já tem computador, TV ou monitor, algumas ferramentas e consegue realizar boa parte do trabalho sozinho, o custo pode cair bastante.
Por outro lado, se for necessário comprar tudo do zero, contratar cortes, pagar mão de obra e utilizar componentes mais caros, a diferença em relação a uma máquina pronta diminui.
Na comparação que fiz durante o projeto, dependendo das escolhas, construir o próprio fliperama pode representar uma economia de aproximadamente 40% a 50% em relação à compra de uma máquina pronta.
Mas não existe uma fórmula única.
O segredo está justamente em saber onde economizar e onde vale a pena investir.
Mas a economia não foi a principal razão
Mesmo que fosse possível economizar dinheiro construindo a máquina, esse não foi o principal motivo pelo qual eu faria tudo novamente.
Construir o fliperama junto com a família tornou o projeto muito mais divertido.
Durante esse processo, aprendi e coloquei em prática uma quantidade enorme de coisas: MDF, cortes, pintura, acrílico, elétrica, controles, organização dos jogos, Batocera, acabamento e vários pequenos detalhes que só aparecem quando você realmente coloca a mão na massa.
E existe uma sensação difícil de explicar para quem simplesmente compra uma máquina pronta.
É olhar para o fliperama funcionando e pensar:
“Eu fiz isso.”
E talvez essa seja a maior vantagem de construir o próprio projeto:
você não está apenas comprando um produto. Você está criando alguma coisa.
O que eu faria diferente?
Depois de concluir o projeto, também ficou muito mais fácil identificar algumas decisões que eu tomaria de outra forma se começasse tudo novamente.
Pintaria a porta traseira antes da montagem
Parece um detalhe pequeno, mas trabalhar nessa região depois que toda a estrutura está montada é muito mais complicado.
Hoje, eu faria essa parte antes.
Deixaria o T-Molding para o final
Eu também faria toda a estrutura, acabamento e adesivagem primeiro e deixaria o T-Molding como uma das últimas etapas.
Isso evitaria a necessidade de ficar protegendo o acabamento durante o restante da montagem.
Usaria MDF de 12 mm na base dos controles
Essa foi outra decisão que eu faria diferente.
Quanto maior a espessura do MDF, menor fica a parte do manche disponível para fora do painel. Além disso, o MDF de 12 mm facilita bastante a execução dos furos.
Para essa parte específica do projeto, eu escolheria 12 mm.
Investiria em controles Sanwa originais
Os controles Zero Delay utilizados no projeto funcionaram muito bem e, depois de alguns ajustes de configuração, fiquei bastante satisfeito com o resultado.
Mas, sabendo o que sei hoje, provavelmente investiria um pouco mais nos componentes dos controles.
Não porque os utilizados tenham apresentado problemas, mas porque, já que estamos construindo uma máquina do zero, faz sentido investir justamente em uma das partes que será mais utilizada.
Economizaria no MDF da região do monitor
Na região que posteriormente seria totalmente coberta pelo adesivo, eu provavelmente utilizaria MDF cru de 12 mm.
Assim seria possível economizar nessa parte e direcionar o dinheiro para outro componente do projeto.
Fora esses detalhes, eu faria praticamente tudo igual novamente.
E os últimos ajustes?
Mesmo depois da estrutura pronta, ainda havia alguns detalhes que fizeram bastante diferença no resultado final, foram eles:
Uso de um adesivo retroverso no acrílico na area do monitor, acabamento atrás do acrílico, puxador embutido, sistema push-to-open, primer e pintura da tampa, alinhamento da porta, iluminação da marquise e organização da parte elétrica.
E depois de pronto?
Uma das coisas que eu mais gostei nesse projeto foi poder criar uma máquina realmente personalizada.
O painel foi pensado para dois jogadores e recebeu uma configuração que permite utilizar diferentes comandos sem transformar o painel em uma quantidade exagerada de botões.
A ideia sempre foi manter a identidade visual inspirada no Super Nintendo, mas ao mesmo tempo ter flexibilidade suficiente para jogar diferentes sistemas disponíveis no Batocera.
No final, ficaram aproximadamente 10 mil jogos distribuídos entre os sistemas.
E é justamente aí que o projeto começa a ganhar uma nova vida.
A construção terminou. O projeto não.
Depois de 30 dias construindo, testando, desmontando, corrigindo e montando novamente, a construção finalmente chegou ao fim.
Mas o projeto está apenas começando.
Agora entram em cena outros assuntos que fazem parte desse universo:
Batocera, emulação, organização de jogos, hardware, configurações, unboxings e, principalmente, muita jogatina.
Porque, depois de passar um mês construindo um fliperama...
chegou a hora de fazer aquilo para que ele foi criado.
Jogar.
Valeu a pena?
Para mim, sem dúvida.
Se o único objetivo fosse economizar dinheiro, talvez comprar uma máquina pronta fosse a opção mais prática.
Construir dá trabalho.
É preciso pesquisar, medir, cortar, furar, pintar, montar, desmontar, corrigir e, algumas vezes, fazer tudo novamente.
Mas existe algo que uma máquina pronta não consegue entregar:
A experiência de construir a sua própria máquina.
E depois de todo esse trabalho, sentar na frente dela, apertar um botão e jogar algo que você mesmo construiu...
essa parte não tem preço.
Assista ao episódio bônus
A série completa da construção do nosso fliperama chegou ao fim, e no episódio bônus mostramos o resultado final, os custos, as decisões que tomaríamos diferente e os próximos passos do projeto.
VALEU A PENA CONSTRUIR UM FLIPERAMA?
Assista ao episódio bônus no YouTube e acompanhe essa conclusão:
Assistir ao episódio bônus no YouTube
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